Vigilância e Rastreamento Espacial

Cada vez mais, as economias, sociedades e cidadãos europeus dependem de aplicações espaciais para comunicação, navegação e, até mesmo, para observação terrestre. No entanto, essa necessidade ocupou as órbitas terrestres com milhares de objetos, entre os quais satélites artificiais como sondas, e/ou infraestruturas, algumas com interesse militar e governamental, e até mesmo detritos, sendo que devido ao preenchimento das órbitas o risco de colisão é cada vez maior.

“O programa SST Europeu pretende que a Europa se qualifique em termos de monitorização e capacidade de seguimento de objetos em órbitas próximas da Terra.”

(Francisco Wallenstein, Presidente RAEGE-Az)

Este é um projeto que avalia o risco de colisões em órbita e reentrada descontrolada de detritos espaciais na atmosfera Terrestre, também é a partir do projeto SST que são detetadas e caracterizadas fragmentações em órbita. A fim de mitigar esses riscos é importante pesquisar e rastrear esses objetos, facultando informações relevantes às entidades interessadas. Assim, em 2014, foi estabelecido pela União Europeia o Quadro de Apoio à Vigilância Espacial (SST), esta decisão resultou na criação de um Consórcio SST composto, atualmente, por sete Estados-Membros da UE, entre os quais, Portugal.

Em Portugal, o centro de operações situa-se no Arquipélago dos Açores, na Ilha Terceira, e uma rede de sensores na ilha de Santa Maria, Madeira e em Portugal continental. Os sensores instalados diferem nas suas características e objetivos, existindo dois tipos de sensores: Tracking e Surveillance.

“O sensor de tracking faz o seguimento de um determinado objeto de acordo com o plano criado enquanto o sensor de Surveillance foca-se numa zona de céu e procura objetos para aumentar o catálogo.”

(Pedro Pavão, Operador do Centro de Operações da ilha Terceira)

Em Santa Maria, situado na Estação RAEGE, está instalado um sensor ótico de Tracking, que visa a operação noturna dos planeamentos, explicados abaixo por um dos operadores SST, previamente desenvolvidos na ilha Terceira.

“Somos responsáveis por elaborar planeamentos para os quatro sensores da Rede SST Portuguesa, que consiste na organização dos vários objetos que queremos observar durante o período noturno, objetos esses que são requeridos pelo Consórcio Europeu SST e também alguns do interesse do Ministério da Defesa Nacional.”

(Paulo Bettencourt, Operador do Centro de Operações da ilha Terceira)

A operação do sensor SST exige uma preparação antecipada do mesmo, sendo necessário proceder ao arrefecimento da câmara para diminuir o ruído gerado por toda a eletrónica do equipamento.

“Antes de começarmos a observar é necessário preparar o sensor e arrefecer a câmara até aos -40ºC e só depois é que podemos começar a observação” 

(Valério Pacheco, Operador SOO – RAEGE Santa Maria)

A garantia do bom funcionamento de todos os equipamentos destinados à Rede SST Portuguesa em Santa Maria também é tarefa dos operadores, tanto questões informáticas como da manutenção do sensor.

“É da minha responsabilidade assegurar o bom funcionamento, todos os dias, dos computadores, softwares e equipamentos SST em Santa Maria”

(Nuno Mata, Operador SOO – RAEGE Santa Maria)

Estes equipamentos são muito sensíveis e, por essa razão, a operação só se pode realizar quando estão reunidas condições atmosféricas favoráveis à utilização do sensor ótico. Não é possível operar com ventos fortes, chuva ou nebulosidade. O clima nos Açores é um desafio, por isso, a manutenção dos equipamentos tem de ser regular.

“É necessário eliminar tudo o que são pontos de humidade e tudo o que advém da humidade, nomeadamente, a corrosão. A limpeza da lente também é fundamental ao bom funcionamento do nosso sensor ótico aqui em Santa Maria, uma vez que temos noites muito frias e com muita humidade que pode criar condensação na lente e condicionar a observação.”

(Sérgio Chaves, Operador SOO –  RAEGE Santa Maria)

Estes serviços são assegurados pela equipa RAEGE-Az que está dedicada e especializada ao projeto SST, constituída por cinco elementos, dois deles no Centro de Operações da Ilha Terceira e três na ilha de Santa Maria na operação noturna do sensor ótico.

O projeto SST revela-se assim crucial à monitorização das órbitas terrestres. Sendo esta monitorização, fundamental para a preservação do funcionamento de todos os equipamentos que nos garantem acesso àquilo que agora consideramos essencial ao nosso dia-a-dia, como comunicações, internet, navegação, e muitas outras aplicações relacionadas com a segurança e bem-estar das sociedades.

Infraestruturas

Na Estação RAEGE de Santa Maria encontra-se instalado um telescópio ótico otimizado para observação de objetos em órbitas geoestacionárias (GEO) e em órbitas médias terrestes (MEO), desde os 8000 km até aos 36000 km. Com interesse estratégico pela sua localização privilegiada, a observação a partir deste local, possibilita o acesso a satélites que normalmente não são visíveis do continente europeu. Graças a este sensor, ao Centro de Operações Espaciais (COpE) existente na Ilha Terceira, e aos restantes equipamentos instalados em território nacional, o Governo português contribui para a Rede Europeia de Vigilância e Rastreamento Espacial (EUSST). Este consórcio visa a atualização de catálogos de órbitas e monitorização de objetos espaciais artificiais, de forma a evitar colisões entre satélites e registando possíveis reentradas de lixo espacial na atmosfera.

Operadores

Os operadores SST da RAEGE-Az, destacados para a operacionalização da prestação de serviços de observação ótica para efeitos do Programa Space Surveillance and Tracking (SST) da Comissão Europeia, estão sediados na Estação RAEGE na Ilha de Santa Maria e no Centro de Operações Espaciais (COpE) instalado no TERINOV na Ilha Terceira.

Paulo Bettencourt

RAEGE-Az
Operador COpE
Terceira

Pedro Pavão

RAEGE-Az
Operador COpE
Terceira

Nuno Mata

RAEGE-Az
Operador SOO
RAEGE Santa Maria

Valério Pacheco

RAEGE-Az
Operador SOO
RAEGE Santa Maria

Sérgio Chaves

RAEGE-Az
Operador SOO
RAEGE Santa Maria

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